Baleia franca filmada com filhote no Arpoador está com rede de pesca presa na cabeça e boca; FOTOS

  • 05/08/2026
(Foto: Reprodução)
Baleia está com rede presa na cabeça Reprodução/Emma Monteiro da Rocha A baleia franca que foi filmada junto com o seu filhote nesta terça-feira (4) no Arpoador estava com uma rede de pesca presa na cabeça e na boca. A situação foi registrada pela fotógrafa Emma Monteiro da Rocha, que estava a bordo de um veleiro para fazer avistamento de baleias. A imagem, compartilhada pelo projeto amigos da Jubarte, mostra a rede de pesca na cabeça do animal. O diretor Thiago Ferrari explicou ao g1 que a baleia franca é uma espécie ameaçada de extinção no Brasil e que tem comportamento costeiro, se aproximando bastante da areia. Baleia franca e filhote nadam juntos no Arpoador  "Ela provavelmente se emalhou em uma rede de espera, são essas longas que os pescadores deixam no mar e que podem chegar a quilômetros de extensão. Não dá para saber se a rede era ilegal ou não, mas provavelmente era uma rede costeira que ela veio nadando e se emalhou acidentalmente nela", explica o pesquisador. "Não dá para especular a região onde foi, pode ter sido até outro estado. Provavelmente essa baleia estava vindo do Sul, mas não dá para especular onde foi", afirma. Por conta de seu comportamento costeiro, a baleia franca foi muito mais caçada do que outras espécies e, por isso, ainda é tão ameaçada. Baleia está com rede presa na cabeça Reprodução/Emma Monteiro da Rocha A espécie migra regularmente para a costa brasileira durante o inverno e a primavera, principalmente para reprodução. O principal ponto de concentração é o litoral de Santa Catarina. É raro que a espécie se desloque pela costa do Rio de Janeiro. O pesquisador explica ainda que não é comum que a baleia franca fique saltando no ar, mas que ela pode ter apresentado esse comportamento nesta terça (4) para tentar se soltar da rede de pesca. "Muito triste, o que era para ser mágico e um momento maravilhoso, se tornou triste", define Thiago. Baleia franca e filhote 'dançam' em flagra de fotógrafo no Arpoador Reprodução/Gabriel Klabin "É possível que ela própria consiga se desvencilhar por conta da sua força, ela é uma baleia muito forte e pesada, ela pode chegar a 50 toneladas e 18 metros", destaca. O diretor ressalta que a população não deve tentar ajudar a baleia por ser uma situação de risco e que, caso alguém identifique que ela ainda está com a rede, o indicado é entrar em contato com o projeto ou autoridades. Migração de jubartes no RJ Todos os anos, com a chegada do inverno, uma cena volta a se repetir no litoral do Rio de Janeiro: baleias-jubarte aparecem próximas à costa e transformam o mar em um dos principais espetáculos da estação. Os encontros, cada vez mais frequentes, movimentam o turismo de observação e chamam a atenção de quem navega pela Baía de Guanabara e pelo oceano em frente à cidade. Mas por que esses animais passam pelo Rio todos os anos? A resposta está em uma das maiores migrações do planeta, uma viagem de até 9 mil quilômetros. As baleias-jubarte deixam as águas geladas da Antártida e percorrem a costa brasileira rumo ao Arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia, onde encontram condições ideais para acasalar e dar à luz os filhotes. Entre ida e volta, a viagem pode chegar a 9 mil quilômetros. Por que as baleias-jubarte aparecem todos os anos no litoral do Rio? Entenda a migração dos gigantes do mar O litoral do Rio de Janeiro não é o destino final da espécie, mas faz parte de uma importante rota migratória. A costa fluminense funciona como um corredor natural por onde milhares de baleias passam todos os anos, tornando a região um ponto privilegiado para observação. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. Gigantes de 40 toneladas Apesar de a presença das jubartes ser cada vez mais comum nesta época do ano, os pesquisadores afirmam que avistá-las em alto-mar continua dependendo de uma combinação de experiência e sorte. Depois de mais de uma hora de navegação, qualquer borrifo no horizonte pode indicar a presença de um animal. Primeiro aparece o jato de água da respiração. Depois, uma nadadeira rompe a superfície. Em alguns momentos, as baleias saltam completamente para fora da água. As jubartes podem atingir até 16 metros de comprimento e pesar cerca de 40 toneladas. O Rio está no caminho, mas não é o destino Caminho da migração de baleias da Antártida até a Bahia Reprodução/RJ2 Ao contrário do que muitos imaginam, as jubartes não migram em busca de alimento. Durante esse período, elas deixam as regiões polares e seguem para águas tropicais mais quentes, onde ocorre a reprodução. É no litoral brasileiro que os filhotes nascem e passam os primeiros meses de vida antes de iniciar a viagem de volta para a Antártida. Segundo especialistas, o Rio ocupa uma posição estratégica nessa rota, permitindo que moradores e turistas observem a passagem dos animais sem que eles precisem interromper a migração. Recuperação após risco de extinção A presença crescente de baleias no litoral brasileiro também reflete a recuperação da espécie nas últimas décadas. A caça comercial levou as jubartes à beira da extinção ao longo do século XX. A proibição da atividade, adotada no Brasil na década de 1980, contribuiu para a recuperação da população. Hoje, estima-se que mais de 30 mil baleias-jubarte cruzem o litoral brasileiro todos os anos. Para pesquisadores, a espécie se tornou um dos principais exemplos de recuperação da vida marinha quando há medidas efetivas de conservação. "As baleias-jubarte são o grande exemplo de como a natureza é resiliente e o quanto que se a gente deixar de atrapalhar, a gente simplesmente parou de matar as baleias, elas recuperaram essa população", diz Caio Salles, embaixador do Hope Spot das Ilhas Cagarras. Um mistério que continua sem resposta Apesar dos avanços no conhecimento sobre a espécie, uma pergunta permanece em aberto: como as baleias encontram exatamente o mesmo caminho ano após ano? Os cientistas levantam diferentes hipóteses, como a influência das correntes marítimas, do campo magnético da Terra ou até da posição dos astros. Mas nenhuma delas foi comprovada. O mecanismo que orienta essa navegação continua sendo um dos grandes mistérios da biologia marinha. Enquanto a ciência busca essa resposta, a passagem das jubartes segue encantando quem tem a sorte de encontrá-las no litoral fluminense. Para os pesquisadores, mesmo depois de anos acompanhando esses animais, a emoção continua sendo a mesma. "Cada encontro é um encontro diferente. É isso que faz esses animais serem tão especiais", resume a pesquisadora de cetáceos Liliane Lodi.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/08/05/baleia-franca-rede-arpoador.ghtml


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